Textos bíblicos históricos

Freud a classificou como “infantil”. Mas deve a Bíblia ser realmente considerada como tal? A maioria dos que a julgam desfavoravelmente mal a folheou, porém o texto bíblico persiste ainda como fonte crível de consulta para a maioria dos historiadores

Por Luiz Muricy Cardoso | Foto: Capela Sistina | Adaptação web Caroline Svitras

Há quem considere a Bíblia uma reunião de contos fantasiosos, verdadeiras “histórias da carochinha”. Muito longe disso, trata-se de uma compilação de histórias que vêm a ser comprovadas por pesquisas dos mais renomados historiadores, que têm no livro sagrado, o norte de seus estudos, baseando-se nele para dirimir dúvidas em relação aos principais acontecimentos da história antiga do Ocidente e Oriente (Próximo, Médio e Extremo)

 

Fundamento das três principais religiões monoteístas – cristianismo, judaísmo e islamismo –, a Bíblia influenciou também o Corão, uma vez que os profetas bíblicos são os mesmos que inspiraram a escrita do livro sagrado dos muçulmanos, coisa que muitos não sabem, sendo o Cristo considerado, de acordo com os religiosos islâmicos, um profeta de maior importância do que o próprio Maomé; embora os islâmicos neguem a crucifixão.

 

Vitral de Davi e Salomão na Catedral de Estrasburgo | Foto: Reprodução/Catedral de Estrasburgo

 

Seja em Gênesis, seja no Êxodo, nos quatro Livros dos Reis, nas duas Crônicas, no Pentateuco (cinco primeiros livros da Bíblia), ou nos chamados Livros Históricos ou nos Proféticos ou no Novo Testamento, a Bíblia refere seus fatos com citações de acontecimentos correlatos. Assim, como em Macabeus ou em Esdras, por exemplo, pode-se ler que em determinado ano, no reinado de tal soberano, quando tal povo esteve envolvido em guerra com tal nação, aconteceu o fato seguinte… É tudo documentado, não há nada fantasioso na Bíblia.

 

Assim, é prova de crasso desconhecimento da história, sério despreparo cultural a afirmação de que a Bíblia é “brincadeira de criança”. Quem o afirma quase sempre nunca a leu, dize-o sem ter ao menos passado os olhos no livro santo. Na Bíblia, estão figurados Alexandre da Macedônia; Xerxes, rei da Pérsia (atual Irã); Nabucodonosor, imperador de Babilônia; Césares; Faraós; Ciro; Assurbanipal, governador da Assíria; e muitos outros personagens de enorme importância na História Antiga das nações. E, naturalmente, os governantes, profetas e outros personagens judeus, como os reis Davi e Salomão, já que a vivência teologal desse povo e a saga do Estado de Israel é o motivo principal da obra.

 

Os livros escritos por Davi e seu filho Salomão, como Provérbios e Salmos, elevam a mente e conduzem o leitor a um estado superior de consciência com suas máximas de inteligência supina que uma observação mais superficial não consegue penetrar.

 

Muita água
As Cavernas de Qumrán contém um grande número de achados, como papiros, códices da Tanak, do Novo Testamento, e muitos outros elementos para a história dos estudos bíblicos | Foto: Creative Commons

Também a história do dilúvio foi desencavada pela Arqueologia. É crença geral entre os cientistas que, além de pequenas inundações localizadas, houve um “Dilúvio Universal” – e os estudiosos não sabem explicar de onde veio tanta água para cobrir todas as terras do mundo. A história do dilúvio é conhecida entre todos os povos. Não há uma única nação, uma única tribo no mundo que não a conheça. Foi também em Ur que pesquisadores descobriram profundas camadas de lama sob as quais se encontraram vasilhas e outros objetos que – supôs-se – eram antediluvianos, ou seja, anteriores à grande inundação.

 

A obra de Keller diz ainda: “Durante a 1ª Guerra Mundial, um oficial da aviação russa chamado Roskovistsky informou ter visto de seu avião, na encosta do Monte Aratat – na Turquia – ‘os restos de um estranho navio’”. O Czar Nicolau II mandou, então, um grupo investigar. Chegaram a fazer fotografias do que se crê ser a Arca de Noé! Provas que a Revolução Comunista de outubro de 1917, que iria instalar um regime ditatorial soviético ateu, no poder, tratou de fazer desaparecer.

 

Gênesis

Há alguns que aceitam a Bíblia em parte. Afirmam eles que o texto dos assim chamados Livros Históricos é, de certa forma, fidedigno. Entretanto, concordes com a maioria dos astrônomos atuais, negam a criação do mundo como está relatada no livro sagrado de judeus e cristãos. Convém citar, a esse respeito, o livro É a Bíblia Realmente a Palavra de Deus?, essa obra publicada pela International Bible Students Association, americana, aponta também documentos que respaldam as afirmações sobre Gênesis, afirmando que seus postulados não são, como muitos supõem, fantasia. Lança mão de afirmações de renomados cientistas para dar reforço às afirmações do primeiro livro bíblico, contestando também a teoria da evolução e a origem simiesca do ser humano, reforçando a história de Adão e Eva.

 

Cristo perante Pôncio Pilatos | Foto: Mihály Munkácsy/Museu d’Orsay

 

Nesse sentido, convém meditar sobre o fato, por exemplo, de que os híbridos (animais – ou plantas – resultados de mistura de espécies) geralmente não se reproduzem. Daí, como acreditar – sem polemizar – nas afirmações de Darwin? Os cientistas têm outro argumento que não o rancor e mesmo a violência contra os que creem no texto bíblico? E como duvidar, sem estupidez, da capacidade do Todo-Poderoso de realizar o que a ciência considera impossível? Não é o ser humano, criado à imagem e semelhança de Deus, segundo a Bíblia, um ser especial na criação que, no dizer dos filósofos gregos, tem “origem divina”? Poderia a inteligência provir da ininteligência? Não tem Deus – ou melhor, não é Ele – uma consciência superior; os acontecimentos do universos estão sujeitos ao acaso, movidos , como dizem os Vedas, literatura religiosa hindu, por “forças cegas, sem diretor”? Ao contrário, a tendência das pesquisas arqueológicas atuais é a crescente afirmação dos postulados históricos bíblicos sobre os quais a ciência acadêmica começa a lançar os olhos e aos quais muitos cientistas vêm se rendendo.

 

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