Tradição ou alienação?

Da Redação | Foto: Reprodução/news.distractify.com | Adaptação web Caroline Svitras

Segundo Samuel Fuller (1912-1997), roteirista, produtor e diretor de cinema norte-americano, que também serviu no Exército dos EUA, durante o segundo conflito mundial, “na guerra o único heroísmo é sobreviver.” Talvez seja por isso ou até para fugir da alienação, caracterizada pela própria negação de si mesma, que a anônima mulher toma, com certa tranquilidade, o tradicional chá das 5 horas, sentada sobre ruínas de sua suposta casa, enquanto se dava o rescaldo de mais um bombardeio alemão durante a Blitz de 1940. O fotógrafo desconhecido, que fez o registro, soube captar um momento singular em meio aos escombros provocados pela Alemanha durante a 2ª Guerra Mundial.

 

Entre 7 de setembro de 1940 e 16 de maio de 1941, Londres foi atacada 71 vezes, teve quase um milhão de casas destruídas e danificadas, mais de 20 mil civis mortos e um número imenso de feridos. Como sobrevivente, provavelmente, ela tinha a esperança de retomar o cotidiano e, em meio ao sofrimento, recordou-se da história de Anna Maria Russell, duquesa de Bedford, que, no século 17, resolveu solucionar a dor no estômago que sentia no fim de todas as tardes com uma xícara de chá. Porém, ao reproduzir a tradição, certamente sua intenção foi a de suprir uma dor bem maior que, além de tomar conta de sua alma, também a obrigava aceitar, de modo impassível, tanto as perdas impensáveis quanto a tamanha destruição imposta pelo inimigo à capital londrina.

 

Quer conferir mais imagens? Garanta a sua revista Leituras da História aqui!

Leituras da História Ed. 73

Adaptado to texto “Tradição X alienação”