Um cemitério sem uma única lápide de pé

Da Redação | Foto: Corpo de Fuzileiros Navais dos Estados Unidos | Adaptação web Caroline Svitras

Depois de Hiroshima, o local eleito para a destruição dos norte-americanos, durante a 2ª Guerra Mundial, seria Kokura. Mas a cidade, obscurecida por nuvens, levou o piloto Charles W. Sweeney sobrevoá-la por três vezes em tentativas fracassadas. Sem condições de visibilidade e baixo combustível, ainda na manhã de 9 de agosto de 1945, ele rumou para Nagasaki – a maior comunidade cristã do Japão.

O avião B-29 Superfortress, o Bockscar, chegou a ser avistado, o alarme soou, mas a população pensou que era mais uma missão de reconhecimento. Ledo engano! Às 11h02min, devido uma limpada de última hora nas nuvens do local, o contato visual se efetivou e a bomba de codinome Fat Man, com um núcleo de aproximadamente 6,4 kg de plutônio-239, foi despejada sobre o vale industrial de Nagasaki. Explodiu a 469 metros acima do solo, a meio caminho entre o sul e o norte da cidade.

Cerca de 40 mil, dos 240 mil habitantes, foram mortos instantaneamente. Entre 25 mil e 60 mil ficaram feridos. Nos meses posteriores, devido à radioatividade, esse total subiu para quase 80 mil. A cidade, em cinzas, assumiu ares de superfície lunar. Tudo foi destruído, exceto uma estátua (a da imagem) que, mesmo danificada, provavelmente, ao ser arremessada, foi parar no lugar exato da explosão. Embora relatos japoneses digam que nada ficou em pé, ela permaneceu com seu braço esquerdo levantado e, ao mesmo tempo em que parecia indicar de onde veio a destruição, curiosamente assumiu uma posição semelhante à de Buda, quando em súplica pela paz.

 

revista Leituras da História Ed. 56